Uma oncinha na UTI

Ei, ei, ei, quem viu, quem viu, uma oncinha animada agitando na UTI? 

Pois é,  a equipe interdisciplinar,  as crianças  internadas e seus acompanhantes presenciaram a passagem da oncinha Dom pela UTI PED do Hospital Brasília. Essa onça é tão ativa que movimentou o ambiente durante as horas que esteve por lá… 

Já na chegada, a onça mostrou a potência dos seus  pulmões! Colocou a boca no trombone para demarcar o território e estabelecer suas vontades. Além de estar faminta e em dieta zero devido ao horário da cirurgia que se aproximava, ela ainda estava com dor e precisava tolerar as checagens constantes e tão comuns nesse espaço de cuidados específicos.

Chegou a hora da cirurgia! Ufa, a onça foi agitar em outro lugar! A equipe de médicos, enfermeiros e técnicos, os pacientes e seus acompanhantes tiveram um intervalo de tranquilidade… 

Mas não se iluda, em menos de duas horas a folga acabou, a onça voltou e o alvoroço recomeçou!

Matheus retornou do Centro cirúrgico bastante calmo, pois ainda estava sob efeitos da anestesia. Mas a voracidade com que sugava os dedos indicava que em poucos instantes a onça acordaria do seu sono restaurador! Dito e feito!!! Cerca de uma hora depois, a onça rugiu… Pensa numa oncinha valente e com um rugido eficiente! Pensou? Então eleva a quinta potência!

Mamãe onça que de boba não tem nada, já estava com a mamadeira preparada! Oncinha alimentada, palmadinhas nas costas para acalentar e torcida geral para a onça voltar a nanar… Ufa, adormeceu outra vez!

Até aí pensei que teríamos uma noite tranquila, pois na primeira cirurgia ele dormiu, dormiu e dormiu… Mas as crianças crescem, o ritmo é outro e o temperamento também. Elas aprendem a expressar suas vontades e insatisfações…  O sossego da oncinha só foi suficiente para a mamãe onça  tomar um suco, comer um cupcake e correr no banheiro escovar os dentes. Pronto, a oncinha miou mais uma vez!

Mamãe onça levantou num sobressalto e já com a mamadeira em mãos ofereceu o conforto tão cobiçado. A oncinha se acalmou por alguns minutos, mas fez denguinho, pois queria um colinho, um carinho! 

A médica intensivista deu o alerta: oh mãe pode pegar no colo! Como quem diz, acalma a criOnça… kkkkk

Para aconchegar o Matheus em meus braços (não é algo fácil quando a criança está conectada aos fios de monitoramento + soro + capacete) recebi ajuda da Maria Helena, uma técnica de enfermagem maravilhosa que estava trabalhando nesse dia.

Sabe essas pessoas raras que existem por ai? Pois bem, ela é dessas. Maria Helena é sensível, cuidadosa, generosa,  proativa e divertida. Preocupada com os detalhes, ela não somente ajudou a aninhar o Matheus, mas importou-se com o meu bem estar. É de profissionais assim que os hospitais necessitam! Maria Helena, você nos cativou! Obrigada por ser do jeitinho que é!

Matheus ficou aninhado em meus braços por um bom tempo, mas passava da meia noite e eu precisava descansar um pouco. Como não consigo dormir com ele no colo, pois receio derrubá-lo, optei por recolocá-lo no berço… A oncinha despertou, rugiu e esperneou.  Mais uma mamadeira foi oferecida e a calmaria restabelecida. 

Depois disso consegui dormir um pouco, mas as constantes monitorações, o incomodo da cirurgia e os efeitos da anestesia não permitiam que a oncinha tivesse um sono sereno. Em cada despertar a evidência da oncinha valente  se fazia presente.

E assim foi a madrugada toda! Entre medições de pressão, marcações do oxímetro, apito da bomba do soro, aplicações de medicamentos, rugidos, colo, acalento e mais rugidos, o dia amanheceu! 

Após a visita do Dr. Benício, o banho às 7 da manhã (esse é para marcar a história), mais alguns rugidos e mamadas, a oncinha foi liberada da UTI. 

A equipe de transferência chegou, o prontuário pegou e o bercinho para fora da UTI encaminhou! A médica bem de longe acenou!

E a oncinha foi rugindo corredor afora…

Já no novo quarto se acalmou, mamou  e hibernou! Mamãe onça também relaxou!

Gente querida, tentei deixar o texto leve e divertido, mas não pensem que foi fácil. Não foi! Não gosto de incomodar os outros, sobretudo, num espaço tão intenso como a UTI. Porém, também não podia evitar as reações do Matheus frente a tudo o que ele estava vivenciando. 

Sou grata aos profissionais que o atenderam nesse ambiente. São todos muito competentes e prestativos. Sem dúvida escolheram a profissão certa e estão no lugar correto. Trabalhar numa UTI pediátrica não é para qualquer um… Observei que a médica intensivista, Dr. Vanessa, (se errei o nome, me perdoe), parou para tomar um banho já passava da meia noite. Depois disso, voltou ao trabalho. O dia amanheceu e lá estava ela concentrada em suas atividades. Um exemplo!

Abaixo algumas informações breves sobre a dinâmica numa UTI PED

O monitor cardiorespiratório exibe continuamente os traçados das frequências cardíaca e respiratória. Para tanto, necessita que sejam instalados cabos e sensores nos membros ou no tórax da criança.

O monitor de pressão arterial mede a pressão arterial da criança por meio de um manguito que pode ser colocado nos braços ou nas pernas (a depender do temperamento). 

O oxímetro de pulso mede a oxigenação do sangue através de um pequeno sensor luminoso que pode ser instalado em várias partes do corpo, como dedos, orelha e artelhos (normalmente usado no pé).

Queridos, por hoje é isso!  Espero que o texto mais aprazível tranquilize os leitores que se comoveram com o relato de ontem. 

Fiquem com Deus! Bjus

Ahh, são 2 da manhã e nosso baby segue acordado. Creio que seu relógio biológico foi desprogramado na cirurgia…