Rodo e vassoura

Rodo e vassoura saíram pelo quintal a fora  brincando de “pocotó”, onde a grama era verdinha e macia, as flores eram tantas e coloridas, misturando-se as borboletas amarelas mescladas de azul…

Em uma dessas tardes de verão, em que o Sol ilumina a Terra com força e vontade, de tal forma que nos faz desejar a todo instante um banho frio, um mergulho na piscina ou o frescor do mar. Bem nesse dia meu carro quebrou em uma rua próxima à escola da minha filha, lamentando o acontecido e perdida em meus pensamentos, aguardava o mecânico.

Tantas coisas por fazer! Ligada no piloto automático do cotidiano urbano, recapitulava em minha mente que precisava pegar minha filha as 17h, passar no mercado, pagar a dentista, postar uns documentos nos correios, chegar em casa correndo, tomar uma ducha, vestir-me apressadamente e ir para o trabalho.

Minha mente era um turbilhão de pensamentos. Cansada da espera, debrucei-me sobre o volante, respirei profundamente e fiquei ali entregue ao tempo…

Mas, algo do outro lado da rua chamou minha atenção. Ali, bem pertinho, por onde eu passava todos os dias, ao alcance dos meus olhos estava uma linda casa branca, que eu nunca havia percebido. A casa parecia feita de algodão, saída dos contos infantis; era ladeada por árvores frondosas e recobertas de frutos,  eu podia sentir o cheiro no ar. Tinha ainda um milhão de passarinhos tagarelas… Ah,  há quanto tempo eu não sabia o que era isso.

Mais a frente avistei uma figura pequenina que aparentava uns cinco anos. Tinha longos cabelos negros que caiam-lhe nas  suas pequenas costas descobertas, uma franja curtinha e irregular que moldava seu rosto pequeno e sereno. Se eu bem me lembro de meus tempos de criança, a designer desse cabelo pode ter sido ela mesma. Tão graciosa! Estava grudadinha no portão, pés e mãos bem agarradinhos nas grades, seus olhinhos negros e brilhantes percorriam a rua com ansiedade. Certamente esperava por algo ou por alguém.

De repente ouço gritinhos de alegria: – Papai! Papai! Um carro havia parado em frente ao portão, um jovem de terno escuro desceu de braços abertos e correu ao seu encontro; enlaçaram se num abraço apertado com sabor de caramelo e chocolate.  Ficaram assim por muito tempo. Sem falar uma palavra, a pequena desvencilhou-se de seu pai, correu para um canto da casa e voltou rapidamente com um rodo e uma vassoura de cerdas rosas. Entregou o rodo para o pai que instintivamente atirou o paletó para um canto qualquer e, imediatamente montou seu alazão.

  Rodo e vassoura saíram pelo quintal a fora  brincando de “pocotó”, onde a grama era verdinha e macia, as flores eram tantas e coloridas, misturando-se as borboletas amarelas mescladas de azul… Ao longe ouço gritos e gargalhadas de felicidade. E então o mecânico chegou, mas já não tenho pressa…

Autora: Danielle Mocelim