Olhar sensível da professora da Sala de Recursos

Olá! Hoje vou compartilhar com vocês uma história repleta de dedicação, afeto e aprendizagens, cujos sujeitos são crianças diagnosticadas com TEA (Transtorno do Espectro Autista) que frequentam um Centro de Ensino Especial, SUA PROFESSORA e as famílias. Como poderão observar, o alicerce precisa ser sólido para que os resultados sejam satisfatórios. 

Conheci o trabalho da professora Erlani antes mesmo de conhecê-la pessoalmente, pois temos em comum a Josi, mãe de um aluno e minha amiga.  Josi sempre falava bem do trabalho pedagógico da professora, sua dedicação e busca por atividades diversificadas e interessantes… Um belo dia, ela comentou sobre a produção iniciada, a pintura em telas, e se emocionou ao contar que Jorge Eduardo estava super receptivo a essa nova atividade. Um artista estava sendo desvelado… Sim, um artista estava desabrochando graças ao olhar cuidadoso e sensível da professora Erlani.         2016-1-24Sabemos que o professor é a figura fundamental no aprendizado de uma criança, ele é  responsável por   compartilhar conhecimento e dar suporte na realização das atividades e na resolução dos problemas. Logo, o olhar atentivo e sensível é requisito fundamental nesse processo, sobremaneira quando se atua com crianças especiais, as quais podem responder distintamente aos estímulos. Assim, por meio da observação o professor consegue identificar as habilidade e dificuldades e criar metodologias diversificadas a fim de auxiliar o desenvolvimento integral delas.

Além desse olhar cuidadoso, da formação e do preparo pedagógico, outra condição é indispensável: a afetividade. O professor precisa ser afetuoso, demonstrar interesse pelas situações cotidianas, compreender, indagar, refletir e acarinhar. Por meio de uma prática afetiva é possível trabalhar conceitos e desenvolver habilidades e valores, bem como mobilizar sentimentos e emoções. 

Para completar esse pilar, a família emerge como essencial  na obtenção dos resultados propostos. É fundamental que família e escola sigam os mesmos princípios e critérios, bem como a mesma direção em relação aos objetivos que desejam atingir.

Então, vamos conhecer um pouco sobre essa professora?

Professora Erlani…

Olá, me chamo Erlani e sou professora! Tenho formação inicial no Magistério/BA. Em 2007 iniciei carreira na Secretaria de Educação – DF. Fiz graduação em Letras Português do Brasil, Pós graduação em Psicopedagogia Clínica e Institucional.  Também fiz alguns cursos: TGD – EAPE, Autismo.

Iniciei na Classe Especial em 2013 no CEF 306 Norte. Em 2014 tive o privilégio de me encontrar com uma dupla fantástica: João Victor e Jorge Eduardo. São crianças autistas, com algumas características do autismo em evidência e dificuldades na coordenação motora.

Convivemos em um ambiente propício para nossas dificuldades e fazemos uso de diversos jogos pedagógicos que a Direção da Escola nos proporciona.

A pintura em tela…

Tudo começou ao sentirmos a necessidade de enriquecermos o nosso trabalho pedagógico. Começamos com desenhos elaborados por mim, buscando nas pinceladas dos meninos uma desenvoltura adorável. Os pais trabalham juntos conosco e vibram à cada situação.

O necessário para os meninos, na pintura, é o espaço adequado e escolha das cores por vontade própria. São figuras abstratas, mas representam uma releitura surpreendente para um olhar clínico e culto.

Para trabalhar com esses artistas necessitamos de um olhar clínico, com uma percepção voltada para as pinceladas, espaços, cores e sutilezas. Buscamos em sala de aula, habilidades necessárias para o nosso dia a dia e trabalhamos o sensorial de forma primordial.

 O dia a dia…

O meu nível de stress acelera às vezes, mas os olhares, as doces risadas e a felicidade que cada um emana são suficientes para que eu me apaixone e busque a cada dia mais informações para enriquecer o nosso trabalho – PROFESSORA/ALUNOS/PAIS.

Sim, carinhas como essa são energizantes!

2016-4-2

Sobre a Exposição de Telas

Em outubro, Josi me disse que teria um evento no CEF 306 e que a professora estava organizando uma Exposição de Telas.  Fiquei bastante interessada e aceitei o convite para prestigiar a festa.

De cara me encantei com a disposição das obras e a delicadeza dos detalhes.2016-2-13

Fiquei observando a interação da professora com os visitantes e vi o quanto ela estava imersa na atividade que se propôs a desenvolver. Foi incrível vê-la relatar as particularidades na realização de cada trabalho – escolha das cores pelo artista, disposição das imagens, falas durante a feitura, paradas, recomeços, mudanças de rotas e etc… Sai da exposição com a certeza de que ela seria personagem de uma postagem no blog Dom Valente!

Algumas obras do artista Jorge Eduardo 2016-2-6

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Por fim

A inclusão escolar de crianças com TEA no ensino regular depende de cada escola, contudo,  o professor tem um papel essencial. Cabe a ele conhecer o espectro e suas limitações  e também acreditar nas potencialidades individuais. O professor precisa cativar a criança!

É óbvio que não existe uma receita “de bolo” para lidar com o TEA em sala de aula, há aspectos básicos na aprendizagem humana, comuns a todos,  e que podem servir de mediadores da aprendizagem. Nesse sentido, o alicerce deve ser sólido e firmado em pilares como formação, observação e afetividade. Além disso, a participação da família é fundamental para o alcance dos objetivos como podemos observar no relato acima.

Super beijo e até breve com mais histórias inspiradoras como a da professora Erlani e seus púpilos artistas!