O sentar da criança com deficiência

Olá!!! Hoje vamos conversar um pouquinho sobre a etapa do sentar na criança com deficiência. Uma habilidade natural e bastante simples para uma criança neurotípica, mas, absolutamente, complexa para àquela nascida com alguma disfunção neuromotora. 

Como sabemos, o desenvolvimento infantil é marcado por etapas, as quais referem um processo evolutivo constante, pois realizar uma ação implica habilidades prévias. Nesse decurso, os estímulos para avançar e  superar estágios são fundamentais, pois a aquisição de novas experiências, aliada ao desenvolvimento motor, amadurecimento do sistema nervoso central e interação com o meio sociocultural, impulsionam a criança para novos desafios e conquistas. 

Diante disso, sentar-se sozinho é uma destreza adquirida entre o 6º e o 8º mês de vida de uma criança neurotípica, a qual tem os músculos das costas e do pescoço mais fortalecidos e capazes de sustentar a posição. Essa postura permite a ela enxergar o mundo de um jeito diferente e mais abrangente.  

Mas o que acontece com a criança atípica?

Ao acompanharmos o dia a dia de uma criança com deficiência e todo o seu esforço para conquistar algumas habilidades básicas, percebemos que esses marcos exigem do cérebro e do corpo um empenho tremendo e conjunto. O processo é complicado, mas encantador! Digo sempre que são os mistérios do cérebro!

Antes de sentar, a criança precisa controlar o tronco e desenvolver habilidades motoras manuais. Esse domínio de tronco permitirá uma boa estabilidade proximal e possibilitará o movimento ordenado dos membros superiores, propiciando a manipulação de brinquedos e objetos.

Mas sustentar o tronco e manter-se equilibrado não é algo fácil para uma criança com hidrocefalia ou paralisia cerebral (falo do que vivencio), tendo em vista os danos cerebrais causados e a espasticidade (quando ocorre um aumento do tônus muscular, envolvendo hipertonia e hiperreflexia, no momento da contração muscular).  Nesses casos, Fisioterapia em solo e em água e Terapia Ocupacional são essenciais, pois os profissionais  desenvolvem atividades que trabalham os diferentes grupos musculares e permitem a aquisição gradativa das habilidades motoras. 

O sentar em W

Sentar em W refere-se a postura assumida quando a criança senta-se no chão, com as pernas posicionadas no formato de um W. Esta é uma das muitas posições que uma criança pode apresentar enquanto brinca sentada e não há nada de errado, pois é normal que ela transite entre diversas posturas.  Inclusive, essa alternância entre posições é benéfica, pois as transferências entre uma postura e outra ajudam a desenvolver os músculos do tronco e a formar as noções de equilíbrio e consciência corporal. Contudo, se a criança assume insistentemente a postura em W, essa preferência poderá gerar problemas ortopédicos ou mesmo relacionados ao desenvolvimento motor normal.

Nessa postura, a criança experimenta um grande aumento da base de sustentação quando comparada com outras posições sentadas, isso lhe garante maior estabilidade estática e menor necessidade de ajustes posturais. Ou seja,  os músculos do tronco terão menos trabalho para manter o equilíbrio. Claro que o alcance do equilíbrio e da estabilidade são avanços essenciais, mas a instabilidade também é importante para desenvolver reações posturais e força nos músculos do tronco.
Segundo os especialistas, a postura em W é muito estável e não permite à criança exercitar seu equilíbrio, além de limitar as rotações de tronco e as transferências de peso laterais. 

Como proceder?

Quando assistimos uma criança com disfunção neuromotora usando frequentemente essa posição, devemos comunicar aos profissionais que a acompanham nas terapias e seguir suas orientações a fim de ampliar as possibilidades para ela e garantir seu desenvolvimento.

A fisioterapeuta de solo do Matheus incentiva ele a levantar o tronco e sentar, contudo, o corrige com um simples movimento de rotação de tronco e pernas. Assim, ele passa da posição em W para a postura de sentado com as perninhas para o lado, apoiando-se  com os próprios braços na busca pelo equilíbrio corporal. 

Exercício para incentivar a posição “gatinho”

Incentivo ao levantamento de tronco

Correção postural

Atividades lúdicas para incentivar outras posições

Como família, tentamos seguir as orientações dela e também incentivamos o sentar com as perninhas cruzadas (indiozinho). Matheus consegue firmar-se nessa postura, mas ainda apresenta grande resistência com a mesma. Permitimos a posição em W, pois observamos muitos ganhos, PARA ELE, mas estimulamos e  insistimos  nas demais, pois temos consciência da necessidade dessas para o pleno desenvolvimento motor do nosso Valente. 

Bem, por hoje é isso! Vibrando com as novas habilidades do Matheus e agradecendo pelas conquistas até aqui. 

Tenham uma linda semana!