Kauã Marcelo – menino valente

Oi! Me chamo Maria  e tenho dois filhos, uma menina de 5 anos  e o Kauã Marcelo – personagem dessa história. Meu filhote tem 1 ano e 1 mês e foi diagnosticado com hidrocefalia, epilepsia e mais algumas complicações, mas é a razão da minha vida!
Depois que tivemos a menina, meu marido e eu queríamos tentar ter mais um filho. Essas tentativas duraram 2 anos e ficamos muito felizes ao descobrir a gravidez. Porém,  quando fiz a ecografia morfológica tivemos um choque. Os médicos disseram que o bebê tinha um tumor na cabeça.
Nesse momento o chão se abriu diante de mim. Os dias passavam e eu apenas chorava e pedia a Deus para morrer. Minha filha Kamilly olhava para mim e dizia:  mãe, cuida bem do maninho! Essas palavras doíam profundamente, pois eu sabia que não tinha esse poder. Como moro no interior do RS, os médicos me encaminharam para Porto Alegre, visto que na cidade não há  médicos especialistas.
 
A partir da descoberta do problema dele, comecei a  consultar semanalmente em Porto Alegre, e a cada ecografia era uma notícia  ainda pior… Com 7 meses precisei internar porque o parto seria antecipado dada a gravidade do diagnóstico. Durante alguns dias tomei injeções que ajudaram a fortalecer o pulmão dele para o nascimento. Tive medo de perdê-lo! 
Ao nascer, meu príncipe não respirou e teve que ser entubado imediatamente. Foi direto para a UTI Neonatal e nem pude vê-lo. Depois que me recuperei da anestesia pude ir na UTI, não foi nada fácil ver ele tão pequeno e frágil todo conectado à fios e equipamentos. Não pude tê-lo em meus braços porque a situação era muito grave e exigia monitoramento intenso. 
Passados alguns dias tive alta, mas não pude levá-lo para casa e foi uma sensação horrível. Como a cidade que moro fica há duas horas de viagem de Porto Alegre, só podia visitá-lo dia sim, dia não. Não foi fácil…
Quando ele estava com 3 semanas de vida, fez a primeira cirurgia para colocação da válvula de derivação. Apesar dos pontos na cabeça e na barriga, deu tudo certo. Mas, depois de um mês precisou operar novamente porque a válvula não estava drenando. Mais uma vez Deus protegeu e deu tudo certo.
O tempo passou, meu bebê já estava com quase 2 meses quando pude tê-lo em meus braços pela primeira vez.  Foi um momento mágico para nós. Uma alegria imensa tomou conta de mim! Kauã continuava com oxigênio e ainda precisou enfrentar uma infecção na derivação. Foram dias e dias de medicação forte para ele reagir.
 
Passados 2 meses e 20 dias, chegou o dia da tão esperada alta hospitalar. Viemos para casa a noite e chegamos de madrugada. Foi o melhor dia da minha vida! 
Meu filho tem hidrocefalia e mais outras complicações que não sei muito o nome, mas posso afirmar que sou muito  feliz  em ter ele na minha vida. Não sei como será o dia de amanhã, mas vivo cada dia de uma vez, na esperança de um dia ser melhor que o outro.
Amo meus filhos e luto por eles. Não posso dizer que  é fácil, mas  agradeco a Deus por ser mãe desse guerreiro. Ser mãe de uma crianca especial é muito bom apesar de todas as dificuldades,  com ele aprendo cada dia que o amor é incondicional. Nada nesse mundo me fará desistir do meu filho!
Kauã está com 1 ano e 1 mês e já foram muitas provações e superações nesse tempo! Ele ainda não fala, não senta e não tem controle cervical, mas me alegro com as pequenas conquistas diárias. 
Faz acompanhamento semanalmente no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Percebi que após a terceira cirurgia ele melhorou bem, mas ainda tem convulsões e isso me assusta bastante. Mas tenho fé que melhorará com o tempo. 
Essa é a história do meu guerreiro Kauã Marcelo e a minha também! Agradeço por poder contá-la.
Vivo para meus filhos! As mães de crianças especiais são guerreiras. 
Obrigada!
Maria