Como esperar o inesperado

Saímos correndo quando perdi o tampão, a mala já estava pronta e eu estava saindo da 37° semana. A médica que estava me acompanhando pelo plano, estava de plantão em um hospital público da cidade e fomos pra lá; no caminho eu já estava bem. Cheguei ao hospital com poucas contrações e a médica disse que estava com 6 cm de dilatação; fiquei tão feliz, achei que teria um parto normal. Eu havia lido tanta coisa, me informado tanto, mas não dei voz para minha sensibilidade, confiei demais na médica e nas circunstâncias que baixei a guarda, abandonei as informações e fiquei sozinha.

Depois de todas as intervenções possíveis a médica me encaminhou para o centro cirúrgico, e em alguns minutos Bia estava saindo da sala de parto para a UTI Neonatal, eu não vi minha filha, fui dopada, perdi muito sangue. Meu marido, que ficou comigo durante o parto, acompanhou todo o procedimento da minha guerreira, oxigênio, exames, incubadora… Ele vivenciou isso com muita agonia, mas com muita fé. Como ele cresceu com essa experiência. A fé dele foi fortalecida e ele presenciou um milagre em nossas vidas.

Foto0065
Imagem de arquivo pessoal. Reprodução não autorizada.
Foto0055
Imagem de arquivo pessoal. Reprodução não autorizada.

Saímos do hospital cinco dias depois, foram dias longos e noites intermináveis. Mas me tornei Mãe, e meu marido Pai. Beatriz saiu em nossos braços, pequena, linda e saudável.

Durante esses dias no hospital, conheci mulheres que há meses estavam ali, sozinhas, longe de seus familiares, sem visitas. Elas olham para seus filhos com diversas necessidades e lutam para manter a força, mães que muitas vezes só precisam de uma palavra de consolo.

Tenho certeza que nenhuma mãe espera passar pela dor de ver seu filho sofrer, mas quando olhamos o sofrimento com esperança, encontramos a força que precisamos pra continuar. Hoje, quando revivo essas cenas, me sinto fortalecida e abastecida para vivenciar as escolhas da maternidade, me sinto Mãe.

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.
(2 Coríntios 1:3,4)